O estrangeiro e meio! (traducción al castellano abajo).

Alguns nascem com o dom da pluma mágica, ou seria, hoje em dia, o dom do teclado encantado? Outros, simples mortais e amantes das letras, sofrem com a tela branca do computador. Entretanto é chegado o momento, o que escrever no primeiro post? Depois de tanto pensar, caí naturalmente sobre a reflexão do indivíduo objeto de estudo do blog, o estrangeiro. Indaguei: o que é uma pessoa depois de dez anos no exterior.  Como a definimos, como se sente? A conclusão é a seguinte: esse ser humano se transforma em um estrangeiro e meio. Os mais experientes deduzirão ao decorrer da narrativa o que seria o meio estrangeiro, porém, se não for o caso, “no pasa nada”, terá a resposta ao final, nas últimas linhas.

Ser estrangeiro é curioso, estranho, legal, chato, dá raiva, é engraçado, cansa, motiva, traz felicidade, tristeza. Sem falar na saudade, que merece um estudo próprio e solitário, como ela… Enfim, parece a vida mesma. É curioso ver como minha cultura não é a mesma; é estranho não se sentir ambientado; legal ver como eles pensam; chato responder sempre as mesmas perguntas; dá raiva quando te tratam com desprezo ou indiferença; é engraçado ver um europeu, com pinta de capiau (capiau: pessoa do campo, com sua forma de ser) metido a sofisticado, de primeiro mundo; cansa ser estrangeiro, haverá sempre um plus de obstáculo, uma barreira extra que franquear; por outro lado motiva, vou conseguir, vencerei em terra estranha; traz felicidade, viver é ser feliz e triste, ser triste e feliz. Mas será sempre diferente, você é diferente, tudo ao seu redor é diferente e por mais que se adapte, será diferente. No entanto, o estrangeiro tem que saber ser estrangeiro.

Alcançada uma década de Europa, posso dizer que tenho experiência no ofício, diria mais, sou um bom profissional do estrangeirismo. Um bom profissional desse oficio é aquele que sabe manejar tão diversas situações que a profissão apresenta. Em uma universidade, por exemplo, um aluno profissional do estrangeirismo tem que sacar qual é o melhor momento de sê-lo, talvez quando um professor goste de teu país, ou em uma matéria complicada de aprovar,  o profissional floresce para ganhar a compaixão do professor. Contudo, o estrangeiro competente demonstra estar no mesmo nível, se assim for necessário, que qualquer nativo; por exemplo, para um trabalho. Nem que seja ensaiando mil vezes a entrevista ou escrevendo mil vezes o currículo no Word. São truques do manual do estrangeiro. Agora, sem dúvida, o melhor e mais puro que pode fazer o imigrante é apreciar o bom do país que lhe acolhe, o melhor de seu povo e relevar e desfazer-se do ruim. Dessa forma o mais provável é que a adaptação seja natural e agradável.

Sou um grande profissional do estrangeirismo, com vestibular, licenciatura, mestrado, doutorado e extensa experiência laboral. Digo mais, sou um estrangeiro e meio. Depois de dez anos no exterior é muito difícil que essa pessoa não se torne meio estrangeiro, se alguém conhece um sujeito(a) que não é, por favor, o retenha, gostaria de entrevistá-lo. Ser meio estrangeiro é diferente de ser estrangeiro. O meio se sente em casa, mas nota que algo mudou. O meio é nativo, porém os conhecidos notam que algo nele mudou. Já não é tudo como foi outrora, o meio passou muito tempo longe, quando volta, muita coisa mudou. Uma das características essenciais do estrangeiro é ser diferente e que tudo ao seu redor seja diferente. O meio é diferente também, ele mudou. Não é a “metamorfose ambulante” de Raul Seixas, nem sofreu sua idiossincrasia uma completa mutação, mas mudou meio. As coisas ao seu redor mudaram, não totalmente, não é uma cultura nova, paisagem, ambiente, nem os amigos e parentes são outros ou mudaram completamente, mudaram meio.

Acredito que alguns já adivinharam o que é o meio. Para quem ainda não o tem claro, o meio é o estrangeiro quando volta para casa. Com o tempo, possivelmente e não todos, adquirem a outra metade e passam a ser novamente um nativo. Enquanto isto não acontece, será metade nativo e meio estrangeiro.

Acerca de caysasilva

Caysa da Silva, 28 anos, nascido no Rio de Janeiro, Cidade maravilhosa. Ex jogador de futebol na Alemanha, estudante de jornalismo na Universidade Complutense de Madri, Espanha, jornalista freelance, colabora com a revista digital “lahuelladigital.com”, blogueiro de Sambaconflamenco. Entusiasta da vida, pronto para desafios. Caysa da Silva, 28 años, nacido en Rio de Janero, Ciudad maravillosa. Ex jugador de fútbol en Alemania, estudiante de Periodismo en Universidad Complutense de Madrid, España, periodista freelance, colabora con “lahuelladigital”, bloguero de Samaconflamenco. Entusiasta de la vida, listo para desafios. Dados personales: Nome: Caysa da Silva Sexo: masculino Idade: 27 Idiomas: portugués, espanhol, alemao, ingles
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12 respuestas a O estrangeiro e meio! (traducción al castellano abajo).

  1. Liu dijo:

    Hahaha..adorei, Caysa! Você traduziu bem o sentimento de ser estrangeiro..essa de treinar pra entrevista..clássica!..saudades de você, rei! Sucesso e beijos da Bahia!

    • caysasilva dijo:

      Brigadao Liu!!!! Valeu por ler. Vou tentar postar uma vez por semana. Marca presença e deixa comentario se gostar. Pode perguntar algum tema se quiser, escrevo pa vc. Se poder ajudar a divulgar, coloca no face. Sei la, to começando nisto. fico meio perdido.
      Saudade tb. Beijao aqui de Madri

  2. Raquel dijo:

    Caysa!
    Sempre quando der vou estar por aqui sim.
    E la vai eu dar os meus pitacos. Primeiro está faltando fotos nestes post. Cadê uma foto bem legal desse estrangeiro, hein?
    Depois eu acho que ficaria mais sonoro se o nome fosse FlamenConSamba… hehehe

    Gostei do texto e super me senti uma estrangeira e meia, até me motivou escrever um post também

    Besosss e Axé!
    Quel

    • caysasilva dijo:

      Valeu mesmo Raquel!!! Pode dar pitacos a vontade, to aqui para aprender. Gostei do nome ao contrario. Nao havia pensado. A unica dúvida que tenho é de colocar o flamenco primeiro que o samba, afinal de contas sou brasileiro e vai ter muito mais coisas do Brasil. Mas acho que fica mais sonoro e legal mesmo.
      beijos

  3. Pedro dijo:

    Caysa,
    Você acaba de adquirir um admirador do seu teclado mágico !
    Comentando as suas belas linhas;
    Acho que eu sou vários meios… Pergunto se vc também tem a profecia de qto tempo é preciso para que um sujeito se torne um… ?
    Baseado na sua fórmula, na minha conta sou a multiplicação de 5 x 1/2. Isso é fisiologicamente previsto ?
    Já diz a letra ( acho que dos TITÃS) ,… “sou de lugar nenhum, sou de lugar nenhum”…
    E para ter paz de espírito aprendi a “ser” aonde “estou”.
    Ops,… QUE CONTRADIÇÃO !
    O negócio é ser feliz !
    Um abração do seu primeiro fã desse Blog
    Pedro B.

    • caysasilva dijo:

      Opa Pedrao querido, muito obrigado. Ter você como fã é começar muito bem.
      Primao, acho que nao existe nenhuma fórmula mágica, há uma estrategia e você “has dado en el blanco”, a estrategia é “ser” onde “está” e ser feliz.
      Muitas vezes me imagino de volta no Brasil, acho que vou deixar de imaginar e fazer um dia uma entrevista contigo para o Blog, topa?
      Valeu primao, um abração pra vc e beijos pra Mechtild e filhao!!!

  4. jesus dijo:

    Caysa. Esto es muy bueno. Una gran sabiduria de experiencias.
    En serio, me emociono leerlo. Realmente bueno.

  5. turian dijo:

    Isso ai, Caysa, mano meu mano, nós somos estrangeiros e seremos estrangeiros e meio, ou meio estrangeiros. O plano de cada estrangeiro é variado, mas sempre vai ser estrangeiro, não tem jeito. Mas sempre aprendemos algo, ne? E conhecemos melhor nossas fraquezas. Migrar muda tudo, tudo mesmo. O que você sabe agora para o resto da sua vida vai ser diferente daquilo que sabe uma pessoa que viveu, mas não migrou. Essa é a vantagem, porque na vida todos os conhecimentos contam. Mas, como sabemos, a falta de ignorância também pode ser negativa, como no caso de saber que uma vida em outro lugar é muito mais organizada e de mais qualidade; ou que uma vida em outro lugar é muito mais divertida…e por ai vai…

    Legal pacas o artigo. Manda a ver, mano. To gostando de ver
    Aquele abraço

    • caysasilva dijo:

      Chico sabio Chico “a gente vai vivendo”. É soluçao que nosso primo, Pedro Bielschowsky, disse: “ser onde estar”. Por aí vai e vai e vai vai, são tantas coisas que contar, né cumpadi. Valeu

  6. Eliel dijo:

    Gostei!
    Realmente no meio do mundo novo, com tantas coisas novas, as vezes nos perdemos nos pensamentos do que realmente queremos e buscamos… sendo no extrangeiro, ou depois de voltar “para casa”.
    Nao ha bom vento para o marinheiro que nao sabe que rumo tomar. Fico contente que voce, Caysa, esta encontrando a direcao certa do seu vento… agora resta saber, aonde voce vai parar!
    Sucesso meu amigo, e pode ter certeza que acompanharei seu Blog !!
    Abracos

    • caysasilva dijo:

      Valeu Zeitouni
      Fiquei surpreendido com as palavras. Muito obrigado.
      Agora, você pode ter certeza que em algum momento vou escrever um artigo sobre o vários estrangeiros que você está se tornando. Cara, você é o nômade do século XXII.
      Conto com tuas visitas no blog. Pode dar palpites também, propor tema. Só de ler e comentar já é uma grande ajuda e honra, se propor algum tema melhor ainda.
      Valeu Elibas.

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